Literatura Gay

O Feioso Pauzudo – Post de André Fischer em seu Blog


pauzaoIntimidado pelos corpos e rostos perfeitos dos clubes, ele nem costuma sair para baladas. À noite vai no máximo a um barzinho, de preferência os mais sossegados. Não usa marcas de moda, pois acha que só marcam mais seus pneus. Também não dá muita atenção ao cabelo, pois a calva já ocupa quase metade da cabeça. Mas é sem roupa que o patinho feio se revela. Vai a praia de nudismo, é o rei do quarto escuro, glória dos glory holes. Na academia passa mais tempo no vestiário trocando de roupa, tomando banho do que malhando. Na sauna posiciona estrategicamente a toalha para revelar justamente a parte mais avantajada da sua anatomia.  Fica excitado quando percebe que chama atenção. E se satisfaz depois em ver aqueles corpos e rostos perfeitos pagando pau pra ele.” (publicado no Blog do André Fischer - http://afischer.blog.uol.com.br)

Fiquei pensando no tal “feio pauzudo” que o André citou em seu blog. Tipo, o foda de um cara assim é que ele vira objeto de fetiche. E tudo se resume ao seu órgão avantajado (focado, novamente, no fetiche).

Isso me fez lembrar de uma confidência sentimental de uma travesti amiga minha louca para achar alguém para namorar e ter um relacionamento sério. Ela disse que os homens a procuram apenas pelo “fetiche” de estar transando com uma mulher de pinto. Quando o sexo acaba não existe mais nada. O povo só quer trepar e tchau. Com o tal “feio pauzudo” deve ser parecido.

Tipo, dentro de uma sociedade focada no falo (consequentemente no pênis grande), isso deve ser uma benção e ao mesmo tempo uma desgraça para quem procura “algo a mais” e não tem nada mais a oferecer que seu pinto. Claro que existem exceções. Mas o foco da minha observação é no fetiche em si.

Mesmo porque eu já conheci “pauzudos” que, independente de bonitos ou feios, só serviam mesmo pra sexo. Nada mais. E outros que nem para sexo. Acho qualquer fetiche válido, desde que se pense também nas outras variaveis que giram em torno de seu foco.


Publicado por Fabrício Viana, autor do livro O ARMÁRIO (Homossexualidade),
em 22 de outubro de 2009 - Literatura Gay
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2 Comentarios para “O Feioso Pauzudo – Post de André Fischer em seu Blog”

  1. Numa sociedade, branca, machista, falocêntrica toda a discussão fica ficada naquilo que está no meio das pernas e, não, naquilo que está dentre as orelhas (apenas para tentar separar sexo de sexualidade).
    Estes tipos existem, e outros subtipos e categorias, também.
    O fetiche é entendido como uma parafilia: http://www.glssite.net/edusex/edusex/parafilias.htm, ou, para aumentar a curiosidade, veja a relação completa em http://pt.wikipedia.org/wiki/Parafilia.
    André, certamente, idealizou um biotipo. Há estes fenômenos por vários segmentos. mas a coisa mais interessante é o quanto ainda hoje, em determinados espaços, a virilidadeé medida erronamente pelos centimetros a mais que a criatura tem e, não, sua capacidade de fecundação. Há quem tenha a idéia de que a quantidade de liquido seminal, esperma , enfim de ao coitado o troféu de macho (tema para um outro texto) ou gostoso. Realmente há uma confusão danada de conceitos.

  2. Concordo plenamente, as pessoas deveriam olhar além do tal fetiche, pois por trás desse indivíduo há alguém que ficará cansado um dia de ser apenas um objeto sexual.

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